AGENOR CANDIDO

Sobreviver - Conviver - Prosperar

Agenor Candido

A chamada “metodologia” aplicada por ministros do Superior Tribunal de Justiça não passa de um exercício de calibração seletiva do arbítrio. Os critérios variam conforme a conveniência: a pessoalidade do ministro prevalece sobre qualquer consenso da Turma; protege-se paciente escolhido, político tutelado, parente bem-posicionado e executivo alinhado ao consórcio ideológico do Fórum de São Paulo. O único parâmetro sistematicamente excluído é o texto constitucional. A Constituição deixou de ser norma e passou a ser obstáculo — descartável sempre que ameaça interesses consolidados. O chamado terremoto MASTER, com impacto superior a 40 bilhões de reais, não foi um acidente institucional, mas a confirmação de um sistema que já não se constrange em violar limites legais para preservar seus protegidos. O país assiste, atônito, à consolidação de um Estado capturado, onde a toga substituiu a lei e a exceção virou regra. Enquanto isso, os fascismos de ocasião — o centrão fisiológico, a “direita cristã” de retórica vazia e a “esquerda ateia” autoritária — simulam antagonismo enquanto disputam a sucessão, incapazes de enfrentar a ingovernabilidade que se expande com a aproximação do calendário eleitoral. Ser parente de ex-presidente não confere legitimidade, ainda mais em um campo político fraturado por disputas internas e ambições pessoais. Mesmo assim, o presidente senil insiste em apostar no seu gafanhoto, Haddad, personagem engolido pelos próprios desastres, soterrado por fatos, improvisos e fracassos à frente de sua pasta. Tarcísio, por outro lado, nada de costas, finge pragmatismo e administra a própria sobrevivência, esquecido pela esquerdalha e tolerado por um sistema que aceita tudo — exceto liderança real e ruptura institucional. O resultado é um país sem bússola, governado por castas, onde a Justiça deixou de medir, a política deixou de representar e a República deixou de existir como promessa. O que resta é um regime de conveniências, no qual a metrologia do poder já não mede a lei, mas o grau de submissão exigido para permanecer protegido.

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