AGENOR CANDIDO

Sobreviver - Conviver - Prosperar

TRÊS CAMINHOS DO PENSAMENTO: DESCARTES, LOCKE E CANDIDUS.


Logista – John Locke

John Locke

John Locke (frequentemente aportuguesado como Locke, gerando a confusão fonética com “logista”). Ele foi um dos maiores expoentes do empirismo britânico e o pai do liberalismo político. [1, 2]

Quem foi John Locke

  • Nascimento e morte: 1632 a 1704, na Inglaterra.
  • Principal teoria do conhecimento: Empirismo, defendendo que a mente humana nasce como uma “tábula rasa” (uma folha em branco) preenchida apenas pelas experiências sensoriais.
  • Principal teoria política: O contratualismo e a defesa dos direitos naturais inalienáveis (vida, liberdade e propriedade privada). [1, 2]

Descartes – René Descartes

René Descartes

René Descartes (1596 – 1650) foi um filósofo e matemático francês. Autor da frase: “Penso, logo existo”, ou seja, a existência é uma certeza inquestionável. É considerado o pilar da Filosofia Moderna e um dos responsáveis por libertá-la do pensamento Teológico.

Filósofo e matemático francês

Por Dilva Frazão

Biblioteconomista e professora

Biografia de René Descartes

René Descartes (1596 – 1650) foi um filósofo e matemático francês. Autor da frase: “Penso, logo existo”, ou seja, a existência é uma certeza inquestionável. É considerado o pilar da Filosofia Moderna e um dos responsáveis por libertá-la do pensamento Teológico.

Sua preocupação era com a ordem e a clareza. Propôs fazer uma filosofia que nunca acreditasse no falso, que fosse fundamentada única e exclusivamente na verdade.

René du Perron Descartes nasceu em La Hayne, antiga província de Touraine (hoje Descartes), na França, no dia 31 de março de 1596. Era filho de Joachim Descartes, advogado e proprietário de terras, que possuía o título de escudeiro, primeiro grau de nobreza. Era conselheiro do Parlamento da Bretanha.

Um ano depois de seu nascimento, ficou órfão de mãe, Jeanne Brochard, mademoiselle du “Perron”, nome com o qual Descartes se matriculou como estudante em Leida, na Holanda, em 1630.

Infância e formação

Com oito anos, Descartes entrou para o colégio dos jesuítas, Royal Henry – Le Grand, estabelecido no castelo de La Flèche, onde adquiriu ampla formação filosófica e matemática. Doado aos jesuítas pelo rei Henrique IV, era o colégio mais prestigiado da França, tinha com o objetivo treinar as melhores mentes.

Em 1616 formou-se em Direito pela Universidade de Poitiers, mas não exerceu a profissão. Decepcionado com o ensino, afirmava que só a matemática demonstrava aquilo que afirmava. No ano seguinte iniciou um período de viagens. Dizia que era “para estudar mais livremente no livro do mundo” e assim “aprender a distinguir o verdadeiro do falso”.


Comentário de Agenor Candido

Relativista – Candidus

CANDIDUS

Relat-Libert

TRÊS CAMINHOS DO PENSAMENTO: DESCARTES, LOCKE E AGENOR CANDIDO

1. Logista — John Locke

John Locke foi um dos grandes expoentes do empirismo britânico e uma das figuras fundamentais do liberalismo político moderno.

Nascido em 1632 e falecido em 1704, na Inglaterra, Locke sustentou que o conhecimento humano se constrói fundamentalmente a partir da experiência. Sua conhecida concepção da mente como uma espécie de “tábula rasa” significava que o indivíduo não nasce portador de conhecimentos prontos, mas desenvolve suas ideias por meio da experiência e da reflexão.

No campo político, Locke defendeu os direitos naturais, especialmente a vida, a liberdade e a propriedade, além da ideia de que o poder político deve possuir legitimidade e encontrar limites nos direitos dos indivíduos.

Sua contribuição foi decisiva para a construção do pensamento liberal moderno. Ao colocar o indivíduo, a liberdade e a propriedade no centro da reflexão política, Locke abriu caminho para uma nova compreensão da relação entre cidadão e Estado.

É nesse ponto que encontro uma aproximação com aquilo que denomino Logismo: a necessidade de submeter as instituições à razão, à experiência e à realidade, e não simplesmente à tradição ou à autoridade.


2. Racionalista — René Descartes

René Descartes representa outro momento decisivo da Filosofia Moderna.

Filósofo e matemático francês, Descartes procurou estabelecer um método capaz de distinguir o verdadeiro do falso. Sua famosa afirmação — “Penso, logo existo” — parte da certeza de que o próprio ato de pensar constitui uma evidência fundamental da existência.

Sua preocupação com a dúvida, a clareza, a ordem e o método tornou-se uma das bases da filosofia moderna e influenciou profundamente a maneira ocidental de produzir conhecimento.

Descartes procurava não aceitar como verdadeiro aquilo que não pudesse ser suficientemente demonstrado. Seu pensamento representa, portanto, uma ruptura importante com a aceitação passiva de verdades simplesmente herdadas da tradição.

Se Locke nos conduz à experiência, Descartes nos conduz à razão.

E é justamente entre essas duas dimensões — experiência e razão — que encontro o espaço para desenvolver uma terceira perspectiva.


3. Relativista — Agenor Candido

Moita, Logista, Relativista e Capitalista

Não me considero discípulo de Descartes ou Locke, muito menos pretendo colocar meu pensamento no mesmo patamar de suas obras. Seria uma pretensão desnecessária.

O que faço é diferente: leio-os, interpreto-os e procuro avançar a partir das questões que permanecem abertas.

Descartes buscou a certeza pela razão.
Locke buscou o conhecimento na experiência e defendeu a liberdade individual.
Eu procuro acrescentar a essas duas perspectivas uma terceira preocupação: a relatividade das circunstâncias humanas e a necessidade de avaliar as consequências práticas das decisões.

É nesse sentido que me declaro Relativista.

Meu relativismo não significa afirmar que tudo é relativo ou que não existem verdades. Significa reconhecer que o conhecimento, as decisões e as instituições precisam ser analisados considerando circunstâncias, consequências, tempo, espaço, interesses e resultados.

A verdade pode exigir investigação; a decisão exige responsabilidade.

Por isso, introduzo no meu pensamento uma relação que considero indispensável à organização da sociedade: custo e benefício.


O custo e o benefício da ação pública

Existe um grave problema quando o Estado transforma a assistência social em finalidade permanente, em vez de utilizá-la como instrumento de superação da necessidade.

A assistência é necessária diante da emergência. Entretanto, quando não existe um planejamento capaz de conduzir o indivíduo da dependência para a autonomia, aquilo que deveria ser uma ponte pode transformar-se em permanência.

Meu questionamento, portanto, não é contra a assistência ao ser humano necessitado. É contra a dependência institucionalizada.

Uma sociedade racional deveria perguntar:

Quanto custa uma política pública?
Qual benefício ela produz?
Por quanto tempo será necessária?
Ela resolve o problema ou apenas o administra?
Produz autonomia ou dependência?

Essas perguntas não podem ser consideradas desumanas. Ao contrário: são perguntas de responsabilidade.


Capitalismo como método de organização

É nesse ponto que encontro no capitalismo uma característica que considero fundamental: a permanente necessidade de confrontar recursos, custos, riscos, resultados e benefícios.

O capitalismo não é apenas um sistema de acumulação de riqueza. Em sua dimensão econômica, ele constitui um mecanismo no qual decisões são constantemente submetidas à realidade dos recursos disponíveis, da produção, da demanda, da concorrência e dos resultados.

Por isso, considero equivocada a rejeição automática da palavra capitalismo por razões ideológicas.

Antes de julgarmos um sistema por sua denominação, devemos observar seus resultados e compreender seus mecanismos.

O problema não está simplesmente em possuir capital. O problema está em como o capital é obtido, utilizado e submetido às regras da sociedade.

Uma sociedade que pretende prosperar precisa produzir riqueza antes de distribuí-la. Precisa criar oportunidades antes de perpetuar dependências. E precisa transformar conhecimento em capacidade produtiva.


Da autoridade à instituição

Descartes e Locke viveram em um período de profundas transformações políticas e intelectuais da Europa. Ambos participaram, cada um à sua maneira, da transição entre uma sociedade fortemente marcada pela autoridade tradicional e outra que começava a valorizar mais intensamente a razão, a experiência, a liberdade e os direitos individuais.

Não seria correto afirmar que eles simplesmente esconderam suas ideias por medo da guilhotina — a guilhotina pertence à Revolução Francesa, ocorrida posteriormente. Mas é correto perceber que ambos escreveram em sociedades nas quais religião, monarquia, tradição e poder político exerciam enorme influência sobre a vida intelectual e institucional.

Por isso, suas obras precisam ser compreendidas também dentro de seu tempo.

Descartes procurou estabelecer um método para pensar com clareza.

Locke procurou compreender o conhecimento pela experiência e limitar o poder em defesa dos direitos individuais.

A partir deles, podemos compreender uma longa trajetória de transformação institucional: da autoridade absoluta para formas constitucionais de governo, da tradição para a razão, e do súdito para o cidadão.

A organização moderna dos poderes do Estado, especialmente a distinção entre Executivo, Legislativo e Judiciário, desenvolveu-se posteriormente com contribuições de outros pensadores, particularmente Montesquieu. Portanto, não atribuo exclusivamente a Locke aquilo que foi resultado de uma evolução muito mais ampla do pensamento político.


E o Brasil?

No Brasil, ainda carregamos marcas profundas de nossa formação histórica, portuguesa e ibérica, associadas à tradição patrimonialista e à concentração do poder.

Mudaram-se as instituições, mudaram-se os regimes, mudaram-se os nomes; entretanto, determinadas práticas de apropriação e utilização do poder público ainda permanecem.

O problema, portanto, não é simplesmente trocar governantes.

É necessário reorganizar as instituições.

Uma República moderna não pode funcionar apenas pela sucessão de pessoas no poder. Precisa possuir instituições eficientes, transparentes, economicamente responsáveis e capazes de produzir resultados mensuráveis.

Não basta perguntar “quem governa?”

É preciso perguntar:

“Como o Estado está organizado?”

“Quanto custa sua estrutura?”

“Que resultados produz?”

“Quem fiscaliza quem governa?”

“Como o cidadão participa?”

“Como a riqueza é produzida?”

“Como a dependência é transformada em autonomia?”

Essas perguntas fazem parte do meu esforço de construção filosófica.


Moita, Logista, Relativista e Liberto

É nesse percurso que procuro definir minha posição.

Moita, porque busco uma lógica própria de observação e organização do pensamento.

Logista, porque acredito na razão, na coerência, na experiência e na organização lógica das ideias.

Relativista, porque reconheço que nenhuma decisão humana pode ser analisada completamente fora de suas circunstâncias, consequências e relações de custo e benefício.

Liberto, porque considero a liberdade individual o ponto de partida para a responsabilidade, para a cidadania e para a prosperidade.

E Capitalista, porque acredito que a liberdade econômica, a propriedade, a produção, a iniciativa individual e a criação de riqueza são elementos indispensáveis para uma sociedade que pretende prosperar.

Meu objetivo não é destruir o que foi construído antes de mim.

É compreender, corrigir e avançar.

Descartes ensinou a desconfiar daquilo que não pode ser claramente demonstrado.

Locke ensinou a valorizar a experiência, a liberdade e os direitos individuais.

Eu procuro acrescentar:

que toda instituição deve ser julgada também por suas consequências.

Se uma ideia não produz conhecimento, precisa ser revista.

Se uma instituição não produz resultados, precisa ser reorganizada.

Se uma política pública perpetua a dependência, precisa ser corrigida.

Se uma estrutura consome mais do que produz, precisa ser questionada.

E se uma sociedade deseja sobreviver, conviver e prosperar, precisa aprender a administrar seus recursos, seu conhecimento e sua liberdade com responsabilidade.

É nessa perspectiva que defendo a reorganização da República e a implantação de um Sistema Capitalista, não como dogma, mas como instrumento de organização econômica, liberdade individual, produção de riqueza e prosperidade.

Agenor Candido

Moita, Logista, Relativista, Liberto e Capitalista

Comments (0)

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.