AGENOR CANDIDO

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DINHEIRO SIMPLESMENTE

– Muito se fala sobre dinheiro, mas pouco se ensina sobre ele. Independentemente da posição ideológica, o dinheiro ocupa um papel central na vida das pessoas, das empresas e das nações. Ignorá-lo ou tratá-lo como um tema secundário é um dos maiores erros da educação moderna.

Enquanto parte da esquerda costuma defender uma maior redistribuição da riqueza por meio da ação do Estado, frequentemente enfatizando a tributação sobre os mais ricos, parte da direita enxerga o dinheiro principalmente como fruto do trabalho, da produção, do investimento e do mérito individual. Essa divergência é antiga, mas existe um ponto anterior ao debate político: a educação financeira.

O verdadeiro problema é que a cultura econômica praticamente inexiste tanto nas escolas quanto no ambiente familiar.

Nas escolas, a educação financeira continua sendo tratada como um tema periférico. Milhões de jovens concluem seus estudos sem aprender conceitos elementares, como orçamento doméstico, juros compostos, investimentos, empreendedorismo, crédito, inflação e planejamento patrimonial. Trata-se de um conhecimento que acompanhará cada cidadão durante toda a vida e que deveria ocupar posição de destaque na formação escolar.

No ambiente familiar, a situação raramente é diferente. Em vez de ensinar responsabilidade financeira desde cedo, muitas famílias evitam falar sobre dinheiro ou limitam a discussão ao campo político, deixando em segundo plano a formação econômica das crianças. Assim, elas crescem sem compreender o valor do trabalho, da poupança, do planejamento e da responsabilidade sobre os próprios recursos.

Seria muito mais produtivo que os pais instituíssem uma simples mesada educativa. Mais do que entregar dinheiro, ela deveria vir acompanhada de regras, metas e responsabilidades. A criança aprenderia, de forma natural, a administrar recursos escassos, estabelecer prioridades, fazer escolhas e compreender as consequências de seus próprios atos. Esse aprendizado a acompanharia por toda a vida.

Minha própria experiência começou aos quatorze anos. Foi trabalhando com um empresário europeu que aprendi uma das maiores lições da vida: o dinheiro deve ser tratado com naturalidade, transparência e respeito. Conversar abertamente sobre receitas, despesas, custos, lucros e investimentos não é motivo de constrangimento; é parte essencial da formação de qualquer cidadão.

Ao longo dos anos, passei a perceber que inúmeros problemas sociais e administrativos — como corrupção, desperdício, desvio de função, má gestão, baixa produtividade e incompetência — encontram terreno fértil na ausência de educação econômica e de uma adequada orientação vocacional. Pessoas despreparadas para administrar recursos ou exercer determinadas funções tendem a produzir decisões igualmente inadequadas.

Ensinar economia, responsabilidade financeira e planejamento não é apenas formar bons administradores do próprio patrimônio. É contribuir para formar cidadãos mais conscientes, trabalhadores mais preparados, empreendedores mais eficientes e governantes mais responsáveis.

No fim, o dinheiro é apenas uma ferramenta. O problema nunca esteve nele, mas na forma como as pessoas aprendem — ou deixam de aprender — a utilizá-lo.

Agenor Candido Gomes
04 de janeiro de 2024

Atualizado 30 de Julho de 2026

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