AGENOR CANDIDO

Sobreviver - Conviver - Prosperar

Sobreviver • Conviver • Prosperar

Fui apresentado, aos cinquenta anos de idade, à vertente da ciência denominada Filosofia. Entretanto, desde a infância, já cultivava o hábito de escrever aquilo que poucos compreendiam. Muitas vezes sentia que pregava no deserto das ideias.

Quando conheci a Academia de Filosofia, foi como renascer. Compreendi, enfim, que a filosofia seria definitivamente a minha vocação. Havia muitos anos que eu repetia, quase intuitivamente, uma trilogia que hoje se consolidou como a identidade do meu pensamento filosófico: Sobreviver, Conviver e Prosperar. Foi nesse momento que a lógica floresceu dentro de mim e passou a organizar inquietações que me acompanhavam desde a juventude.

Esses três fundamentos aplicam-se a todos os seres humanos. Contudo, tornam-se mais evidentes entre os mais humildes, para quem sobreviver é uma batalha diária — o popular “matar um leão por dia”. Eu também percorri esse caminho.

Sobreviver no Brasil, onde a abundância de conceitos invertidos é frequentemente ensinada nos bancos escolares, representa um enorme desafio. Soma-se a isso a deficiência da saúde pública, a fragilidade da segurança e inúmeras distorções institucionais que transformam a simples manutenção da vida em um verdadeiro milagre cotidiano.

Foi em Rio Bonito, pequena cidade do Estado do Rio de Janeiro, que compreendi profundamente a necessidade da convivência. Curiosamente, essa lição veio de um andarilho que me disse:

“Agenor, o ser humano, para conviver em sociedade, é obrigado a contrariar muitos dos seus mais sólidos princípios.”

Naquele momento, aquela frase pareceu exagerada. Com o passar dos anos, entretanto, percebi a profundidade de seu significado. Conviver em sociedade exige disciplina, educação, respeito, tolerância e, sobretudo, um propósito de vida. Quando esses elementos não existem, a convivência deixa de ser uma experiência enriquecedora e transforma-se em sofrimento. A sociedade, muitas vezes, não acolhe o indivíduo; apenas o tolera enquanto ele lhe é funcional.

Depois de lutar pela sobrevivência e vencer inúmeros filtros invisíveis e interesses ocultos impostos pelas estruturas sociais, surge o terceiro desafio: prosperar.

Prosperar em uma sociedade que negligencia justamente as bases da sobrevivência e da convivência parece, muitas vezes, uma tarefa quase impossível. Entretanto, há uma força que transcende as circunstâncias. Os finlandeses a denominam Sisu: uma determinação inabalável diante das adversidades.

Talvez seja exatamente por isso que a prosperidade seja, antes de qualquer condição externa, uma escolha interior. As oportunidades podem ser escassas, os obstáculos numerosos e as injustiças constantes, mas a decisão de continuar caminhando pertence exclusivamente ao indivíduo.

Hoje compreendo que Sobreviver, Conviver e Prosperar não constituem apenas uma sequência de palavras. Representam uma filosofia de vida. São três etapas inseparáveis da existência humana, três pilares sobre os quais se constrói uma vida digna e consciente.

Primeiro, aprende-se a sobreviver. Depois, aprende-se a conviver. Finalmente, torna-se possível prosperar.

Essa é, em minha compreensão, a verdadeira premissa para que um ser humano alcance o êxito.

Agenor Candido

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