AGENOR CANDIDO

Sobreviver - Conviver - Prosperar

Manual Prático de Sobrevivência e Estratégia Eleitoral

Por Agenor Cândido Gomes

INTRODUÇÃO

Vivemos um momento de profundas incertezas, em que a democracia e as nossas instituições são colocadas à prova a todo instante. Paralelamente, nosso povo — vítima de desinformação deliberada e herdeiro de uma histórica deficiência educacional — ainda é obrigado a votar, perpetuando uma falsa sensação de democracia. O resultado é um cenário de caos que se renova a cada eleição.

Para quem possui o mínimo de conhecimento sobre o processo eleitoral, o grau de amadorismo encontrado no meio é um fato estarrecedor.

O elemento central dessa engrenagem é, sem dúvida, o candidato. Contudo, a maioria dos postulantes sequer deseja verdadeiramente sê-lo. São convencidos a entrar na disputa sem objetivos claros. Como em uma trama bem articulada, são inicialmente envolvidos por pessoas próximas e, em seguida, entregues a assessores despreparados — indivíduos que nada entendem de política, de campanha ou do próprio ser humano (ignorando suas complexidades comportamentais, interesses ocultos, olhares críticos e ideologias ultrapassadas). É desesperador!

Como dizia o Dr. Enéas Carneiro, a mentira vestida de verdade, em um universo de incultos, sempre massacrara os probos e triunfará.

Diante desse cenário, proponho-me a escrever estes “Protocolos do Candidato”: um guia direto e objetivo para evitar os erros mais grotescos e repetitivos do ambiente político.

Participei de doze campanhas eleitorais, logrando êxito na maioria delas. Isso não significa que fui o único responsável pelas vitórias, mas certamente liderei a fração decisiva que fez a diferença — motivo pelo qual sou lembrado até hoje. O objetivo desta obra não é pretensioso; busca apenas resgatar conceitos e ações fundamentais que separam a vitória da derrota.

ÍNDICE

  1. Introdução
  2. O Executivo
  3. O Legislativo
  4. Reeleição e Migração de Instância
  5. Argumentos Incoerentes
  6. Elementos da Campanha
  7. Partidos Políticos
  8. O Eleitor
  9. Promessas de Campanha
  10. Conspirações e Interesses Ocultos
  11. Herança Política
  12. Eventos de Campanha
  13. Capítulo I – Pré-candidatura
    • a. Construção de imagem
    • b. Apoios políticos
    • c. Gestão de escândalos e “dossiês”
    • d. Escolha partidária
    • e. ONGs e Instituições Governamentais
    • f. Argumentos incoerentes
  14. Capítulo II – Pós-candidatura
    • a. Desconstrução da imagem do adversário
    • b. Impacto das mídias sociais
    • c. Equipe e Logística
    • d. O Dia “D” (Dia da Eleição)
    • e. A Posse
  15. Agradecimentos
  16. Considerações Finais

ARGUMENTOS INCOERENTES

Erros fatais que destroem candidaturas:

  • “Já ganhamos”: Eleição só se ganha quando a última urna é apurada.
  • “A eleição aqui é diferente”: Ilusão pautada pelo desconhecimento dos fatores reais.
  • “Dinheiro ganha eleição”: O recurso ajuda, mas isoladamente não vence pleito.
  • “Minha comunidade garante minha vitória”: Excesso de confiança em nichos isolados.
  • “Coligações ganham a eleição”: A alianças sem estratégia de ponta não geram votos reais.

ELEMENTOS DA CAMPANHA

CategoriaComponentes Chave
Linha de FrenteCabos eleitorais e Formadores de opinião
Estratégia & OperaçãoPublicitários, Pesquisadores e Financiadores
Chapa MajoritáriaVices (Prefeito, Governador, Presidente) e Senadores
Chapa ProporcionalLegisladores (Vereadores, Deputados Estaduais e Federais)

EVENTOS CHAVE

  1. Lançamento da Candidatura
  2. Estratégia de Comunicação
  3. Manutenção e Tração da Campanha
  4. Operação Dia “D”

CAPÍTULOS DE AÇÃO: OS 5 PASSOS

A estrutura do projeto baseia-se em cinco capítulos práticos. Após o preenchimento do questionário analítico pelo candidato, desenvolve-se o estudo estratégico e a apresentação do plano de campanha.

1º Passo: Por que ser candidato?

  • Identificar o momento exato para o lançamento.
  • Mapear os distritos, bairros e redutos eleitorais prioritários.
  • Definir o estereótipo, palavras-chave e o slogan/refrão.
  • Selecionar nomes estratégicos para a Vice-Prefeitura e Chefia de Gabinete.
  • Aplicação da metodologia estratégica (Análise de Cenário).

2º Passo: Start (O Início)

  • Escolher o partido político ideal.
  • Definir o adversário principal a ser batido.
  • Mapear e selecionar os aliados de peso.
  • Respeitar e explorar o perfil vocacional do candidato.
  • Formular as propostas centrais de governo.

3º Passo: O Núcleo Duro

  • Nomear o Chefe de Campanha.
  • Nomear o Captador de Recursos.
  • Nomear o Coordenador Operacional.
  • Nomear o Conselheiro Político.
  • Nomear o Observador de Minorias e Causas Sociais.

4º Passo: Comunicação

  • Estruturar uma rede eficiente de inteligência e informação.
  • Montar uma equipe dedicada de pesquisas.
  • Criar a célula de construção de imagem e a célula de resposta/desconstrução.
  • Estruturar a equipe de Mídias Digitais e Produção de Conteúdo.

5º Passo: Equipe de Campo

  • Mobilizar e coordenar os cabos eleitorais.
  • Mapear e dialogar com todos os segmentos da sociedade.
  • Alinhar o discurso com o perfil econômico e social da cidade.
  • Mapear as nomeações estratégicas de assessoria e cargos de 1º e 2º escalões.

QUESTIONÁRIO DE AUTOAVALIAÇÃO DO CANDIDATO

> Instruções: Responda de forma direta com SIM ou NÃO. Assinale apenas uma opção por pergunta.

Bloco 1: Renúncias Pessoais

Você quer e pode abrir mão:

  1. Da sua privacidade?[ ] SIM [ ] NÃO
  2. Do convívio diário com sua família?[ ] SIM [ ] NÃO
  3. Da gestão direta dos seus negócios pessoais?[ ] SIM [ ] NÃO

Bloco 2: Motivação Real

Você sabe exatamente por que quer ser candidato?

  1. Porque representa organicamente uma classe ou região?[ ] SIM [ ] NÃO
  2. Porque possui o apoio sólido de um grupo político?[ ] SIM [ ] NÃO
  3. Porque possui um projeto claro e defensável para a sociedade?[ ] SIM [ ] NÃO

Bloco 3: Rede de Confiança

Você consegue citar pessoas a quem confiaria a sua própria vida?

  1. Pelo menos uma pessoa?[ ] SIM [ ] NÃO
  2. Pelo menos três pessoas?[ ] SIM [ ] NÃO
  3. Pelo menos cinco pessoas?[ ] SIM [ ] NÃO

Bloco 4: Inserção Social

A qual destas estruturas você está vinculado?

  1. Liderança empresarial ou patronal?[ ] SIM [ ] NÃO
  2. Associações comunitárias ou de ajuda mútua?[ ] SIM [ ] NÃO
  3. Serviço público ou entidades de classe?[ ] SIM [ ] NÃO

Bloco 5: Projeção de Imagem

Como você é visto pelo público?

  1. Possui um apelido ou nome popular consolidado?[ ] SIM [ ] NÃO
  2. Possui um bordão ou frase de efeito marcante?[ ] SIM [ ] NÃO
  3. Possui alguma marca visual ou característica física marcante?[ ] SIM [ ] NÃO

TABELA DE PONTUAÇÃO

  • Cada resposta SIM: +10 pontos
  • Cada resposta NÃO: -5 pontos

Diagnóstico:

  • Acima de 100 pontos: Vá em frente. Você reúne as condições mínimas para viabilizar uma candidatura.
  • Abaixo de 100 pontos: Atenção. Você precisa reavaliar diversos aspectos da sua vida pública e privada; suas chances atuais são mínimas.
  • Abaixo de 50 pontos: Desista. Você não possui o perfil necessário para a disputa política neste momento.

AGRADECIMENTOS

Agradeço às referências, figuras políticas e personalidades que, de formas distintas, moldaram minha visão sobre o poder e os bastidores da política:

  • José de Aguiar Borges
  • Alcebíades Moraes
  • Leonel Brizola
  • Roberto Campos
  • Jorge Gama
  • Augusto Ariston
  • PC Farias
  • Fernando Collor de Mello
  • Paulo Maluf

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No universo das campanhas políticas, é comum ouvir a tese equivocada de que “para vencer, vale qualquer preço”. Trata-se de uma visão míope. A política é a maior das ciências, contudo, equilibra-se no fio da navalha, onde os pratos da balança são a Honra e o Mau Caratismo. Infelizmente, o eleitor sem instrução raramente consegue distinguir a diferença entre o certo e o errado.

  • A HONRA: A honra advém da formação do indivíduo, do berço, da educação e de práticas altruístas. Não pode haver segundas intenções na gestão da coisa pública, nem a condescendência com o que chamo de camarilha — aquele grupo de oportunistas que cerca a autoridade para influenciar decisões em benefício próprio. O cargo público atrai naturalmente pessoas de todos os tipos, muitas delas com intenções dissimuladas.
  • O MAU CARÁTER: É o oportunista de plantão, disposto a qualquer ato por vantagem pessoal. A máquina pública frequentemente já absorve mão de obra desqualificada — aqueles que não obtêm espaço na iniciativa privada nem aprovação em concursos —, pessoas que se agarram a políticos como tábua de salvação, famintas por cabides de emprego e cargos fantasmas. São engrenagens de um sistema corrupto fundamentado na falácia.
  • A POLÍTICA REAL: A diplomacia e a boa política exigem erudição que começa na educação, passa pela cultura e se consolida como arte. Essa maturidade não se confunde com a simples luta pela sobrevivência diária; ela caminha pelo terreno da convivência humana e se consolida em ideais claros, liberdade de pensamento, leitura apurada do cenário eleitoral e um projeto transparente.

“O analfabeto do século XXI não será aquele que não sabe ler e escrever, mas aquele que não sabe aprender, desaprender e reaprender.”

Alvin Toffler

Segundo Yuval Noah Harari, autor de Sapiens e 21 Lições para o Século 21, o volume de conhecimento humano dobra em velocidade vertiginosa na era quântica. Hoje, um jovem de 12 anos com um smartphone nas mãos possui acesso a mais informações do que os imperadores Nero, Gengis Khan e Napoleão Bonaparte obtiveram somados em toda a sua vida.

Por fim, entenda: campanhas políticas modernas não são vencidas apenas com apertos de mãos e tapinhas nas costas. Vence-se com um projeto de marketing bem estruturado, presença digital estratégica e inteligência de dados em tempo real. O restante é amadorismo — e o destino do amadorismo é a derrota.

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