LOUCURA GLOBAL
O mundo atravessa um dos períodos mais delicados desde o fim da Guerra Fria. As grandes potências disputam influência política, econômica e militar, enquanto conflitos regionais assumem dimensões cada vez mais globais.
O presidente Donald Trump acusa diversos países de utilizarem trabalho escravo, denuncia práticas comerciais desleais e fraudes eleitorais e confronta militarmente o Irã na tentativa de enfraquecer ou modificar o seu regime político.
O Oriente Médio permanece em permanente ebulição. Cada nação defende exclusivamente os próprios interesses, ampliando um conflito que já ultrapassou as fronteiras da região. Paquistão e Índia convivem sob constante tensão; os países árabes procuram preservar suas posições estratégicas; a Ucrânia continua recebendo apoio militar; a Coreia do Norte mantém-se cautelosa; a Rússia parece cada vez mais prisioneira das consequências de suas próprias decisões; e a China, acreditando que permaneceria imune aos desdobramentos da disputa global, já enfrenta pesadas barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos.
Enquanto isso, Filipinas, Japão e Taiwan observam atentamente cada movimento, conscientes de que qualquer erro estratégico poderá alterar o equilíbrio de forças no Indo-Pacífico.
Não sou trumpista. Donald Trump, em minha opinião, fala mais do que deveria. Contudo, compreendo a lógica que orienta grande parte de suas ações: um chefe de Estado tem como obrigação primeira defender os interesses de sua nação e de seus compatriotas.
A Europa procura preservar a influência construída ao longo de séculos e, por vezes, ainda se comporta como se fosse o centro intelectual do mundo. Já muitas nações em desenvolvimento permanecem como simples espectadoras, assistindo às decisões das grandes potências sem capacidade efetiva de influenciar os rumos da política internacional.
Vivemos uma época em que alianças mudam rapidamente, antigas certezas desaparecem e novos protagonistas surgem a cada crise. A paz deixou de ser uma condição permanente para tornar-se um objetivo que precisa ser defendido diariamente pela diplomacia, pela responsabilidade e pelo equilíbrio.
O momento geopolítico é extremamente crítico. Que a racionalidade prevaleça sobre a arrogância, que o diálogo seja mais forte do que as armas e que a sabedoria conduza os líderes das nações antes que a humanidade seja levada, mais uma vez, a pagar um preço que jamais deveria existir.
Agenor Candido