AGENOR CANDIDO

Sobreviver - Conviver - Prosperar

Jogo é jogo e Treino é treino!

Para mim, não foi surpresa alguma a Espanha vencer a Argentina. Ao longo da competição, jogo após jogo, grandes craques foram sendo eliminados: Messi, Mbappé, Haaland e tantos outros. É inegável que jogadas individuais, passes geniais e finalizações cinematográficas encantam o público. Entretanto, jogo é jogo, e treino é treino. No futebol, o talento individual, por si só, não garante vitórias.

No caso do Brasil, o que mais me causou estranheza foi a convocação. Tirando o Vini Jr., pouco conhecia dos demais jogadores. Apenas Neymar, ainda enfrentando problemas físicos, e Lucas Paquetá, também longe de sua melhor condição. E, curiosamente, após a saída de alguns deles, a equipe conseguiu piorar ainda mais.

Sempre fui contrário à ideia de convocar simplesmente “os melhores jogadores brasileiros que atuam no exterior”. Muitas vezes, eles chegam sem qualquer entrosamento, cada um acostumado a um sistema tático diferente, e acabam anulando suas próprias qualidades em campo.

Faltou o espírito de liderança de Dunga, a disciplina coletiva e a inteligência tática de um treinador como Cláudio Coutinho, que entendia que uma seleção é construída sobre organização, comprometimento e identidade, e não apenas sobre nomes de destaque.

Enfim, perdemos. Que essa derrota sirva de lição para as próximas Copas.

E, antes que me critiquem, deixo uma confissão: sou flamenguista, sim. E continuo acreditando que, se a base da Seleção Brasileira fosse formada pela seleção da Nação Rubro-Negra, certamente teríamos obtido um resultado melhor… pelo menos um pouco melhor.

Mais importante, porém, é compreender a verdadeira lição. O futebol apenas reproduz uma lei que se aplica às empresas, aos exércitos, às famílias e às nações: um grupo disciplinado, coeso e comprometido quase sempre supera um conjunto de talentos isolados. Estrelas ganham partidas; equipes conquistam campeonatos. O individualismo produz lances memoráveis, mas é o espírito coletivo que constrói legados. Enquanto continuarmos acreditando que basta reunir os melhores nomes para formar a melhor equipe, continuaremos confundindo espetáculo com eficiência. A história demonstra exatamente o contrário: a força de uma nação, de uma empresa ou de uma seleção nunca esteve na soma de suas individualidades, mas na capacidade de fazê-las atuar como um único organismo.

Agenor Candido

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